Notícias

Crônica da semana: “Cadeados do Amor” – por Kátia Muniz

“Cadeados do Amor”

Por: Katia Muniz

Paris, Pont des Arts.

Durante muito tempo, casais do mundo todo fixavam um cadeado nos gradis da ponte como prova de amor eterno.

Resultado: o peso dos inúmeros cadeados começou a comprometer a estrutura. A prefeitura interveio e promoveu a retirada a fim de devolver a segurança aos transeuntes.

Paris, considerada uma cidade romântica, perde um símbolo do amor.

Mesmo que em silêncio, as pessoas ainda sonham com um grande amor. Aquele capaz de dar um novo sentido à vida. Aquele que provoca um novo olhar. Aquele que faz brotar um sorriso no rosto. Aquele que faz levitar.

Mas poucos se dispõem a investir em tudo que um amor solicita.

Nos dias atuais, não há muita paciência para as negociações. Discutir a relação? Pra quê. Ceder? Nem pensar. E fazer as malas nunca foi tão fácil.

Os cadeados da Pont des Arts eram uma simbologia, uma promessa de casal. Um desejo que o sentimento fosse adiante. Uma aposta do presente, no futuro.

Os cadeados eram um “Eu te amo” metalizados. Eram votos de amor eterno. Era um jeito de prender o casal e desaparecer com a chave.

Retirá-los foi uma interferência no amor alheio, uma invasão, uma intromissão, uma ruptura do desejo acordado em par.

Não sabemos se os pares que eternizaram o amor na ponte ainda estão juntos. Mas, um dia aclamaram por estar. Um dia celebraram o que os unia. Um dia sentiram a vontade arrebatadora de permanecerem juntos. Um dia sonharam com o futuro. Um dia os dois eram um só.

Mas, quem diria: o amor pesou, justamente, em Paris.