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Crônica da Semana: “Carta a João Paulo” – por Kátia Muniz

 

Querido João Paulo:

Somente em casa, li a linda dedicatória que você fez para mim, no seu conto publicado no livro “Traços”, resultado da oficina literária de mesmo nome e que foi magistralmente ministrada pelo amigo, Paulo Ras.

Foi uma grata surpresa saber que lhe servi de inspiração.

Meus escritos são simples e sofro do mal que acomete os cronistas: a busca semanal de um assunto palpitante.

Você também escreve, e muito bem, por sinal. E por escrever deve entender o que digo.

João Paulo, a estrada da escrita é sinuosa, mas também traz paisagens belíssimas. Não sei exatamente aonde quer chegar, quais são seus planos, mas garanto que vale o passeio.

Ganhar dinheiro com esse ofício é para poucos. Encher os bolsos escrevendo é algo raro, mas enche a alma. E não se assuste, muitas vezes chega a transbordar. De quebra, a gente ganha outras coisas que carregam imenso valor. Conhecer pessoas é uma delas. Você vai cruzar com muita gente. Algumas trazem o coração e os braços abertos outras possuem contraindicações. Espero que você tenha sabedoria para separar o joio do trigo.

É possível que, nesse meio, você encontre pessoas que lhe digam para deixar de escrever, que isso não leva a nada, que é coisa de maluco. Mas você há de convir comigo: o mundo anda precisando muito dessa maluquice. De escritores que não tem medo de criar, inventar, expor opiniões, de fazer jorrar palavras que correm afoitas em busca de alguém que as leia. É uma delícia essa doideira.

João Paulo, encontramos dificuldades em todos os lugares e em todas as áreas. Mas elas vêm para testar a nossa força. Cair e levantar faz parte do processo, pois a vida, como você já sabe, nem sempre nos entrega sombra e água fresca.

Escreva, reescreva, seja autocrítico. Entregue textos que valham a pena, que ofereçam reflexões, entretenimento, leveza, graça e força. Não se intimide em expor seu pensamento, seja porta-voz, aguente firme as possíveis pedradas e deleite-se com o reconhecimento e com os elogios.

Vá, prossiga, faça a diferença. Não permita que a sua timidez anule a capacidade de se expressar verbalmente ou por escritos. Mostre a que veio.

Agradeço a dedicatória e, se em algum momento lhe servi de inspiração, saiba que, com as suas palavras, ganhei o dia, os meses, o ano. São relatos como o seu que fazem a caminhada ficar mais leve, porque, quando abrimos o nosso coração, geralmente, fazemos o outro ficar feliz.