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Crônica da Semana: “Um brinde ao amor” – por Kátia Muniz

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Por: Katia Muniz

Sexta-feira, 12 de junho, Dia dos Namorados.

No facebook, o amor apareceu retratado nas mais variadas formas.

Fotos de casais bateram recordes. Estavam abraçados, trocando um beijo ou apenas se olhando. Com aquele olhar que só os casais apaixonados têm.

Declarações, poemas, versos pinçados.

Um dia em que a tal rede social ficou leve. Um dia em que o amor foi explorado à exaustão. Enquanto uns abriam o coração em palavras carinhosas, outros se machucavam por não ter alguém para dividir o dia e a vida. Para esses últimos, segue o meu desejo que o cupido trabalhe em horas extras e tenha pontaria certeira.

Voltando.

Diante das inúmeras fotos postadas encontrei uma que me chamou a atenção. Nela, duas taças com champanhe e entre as taças uma mamadeira azul.

Bravo!

O amor a três. O amor em família. O amor em número ímpar. O amor em construção diária. O amor na intimidade.

A foto dizia tudo sem mostrar quase nada. Deixava subtendido. Aguçava a imaginação.

Não havia rostos sorridentes, não havia mãos dadas, não havia carinhos explícitos. Ainda assim, carregada de beleza. Singela. Tocante.

Gosto dessas revelações discretas, sem muitos holofotes, sem microfones, em que as palavras certas são ditas ao pé do ouvido, tendo como plateia quem realmente interessa.

Gosto do inusitado, do que foge à regra, das surpresas, do inesperado.

Enquanto muitos casais aguardavam em filas de restaurantes por um jantar romântico com direito a um atendimento sofrível, característica das grandes datas, os autores da foto preferiram ficar em casa.

Enquanto muitos casais lotaram motéis, os autores da foto escolheram o aconchego do seu quarto e a cama que os reconhece.

Enquanto muitos casais despacharam os filhos para as casas dos parentes, buscando um momento a sós, o casal comemorou com o filho gerado.

Duas taças e uma mamadeira. Uma foto e o amor celebrado.