Notícias

Não desconte o estresse na comida!

Por Marilia Monteiro Bueno | Yahoo Contributor Network

Imagine a seguinte cena: Laura, já descontente com o trabalho, acabou discutindo com seu chefe, o mandando pra mil lugares mentalmente e depois ficou com aquele receio de ser despedida. No mesmo dia passou no supermercado e comprou uma caixa de bombons, salgadinhos, balas e outras guloseimas. Todos foram consumidos aquela noite, no seguinte ciclo: vontade de comer – prazer – culpa – vontade de comer novamente e assim por diante. Você já se identificou com algumas dessas ações?
Seja porque discutiram com alguém, terminaram o namoro ou simplesmente estão insatisfeitas, muitas pessoas acabam comendo demais sem necessidade. Isso se deve porque quando passamos por alguma situação estressante procuramos na comida uma forma rápida e acessível de prazer. “O cérebro sempre busca equilíbrio. Quando isso se quebra, ele automaticamente procura algo que gere bem estar”, afirma o médico, professor e pesquisador na área de Neurociência do Comportamento, Dr. Jô Furlan.


Um exemplo disso é procurar comer chocolate. Ele contém L-arginina, que ativa a sensação de bem estar, liberando serotonina e principalmente endorfina. Quando a concentração de endorfina diminui, é comum querer buscar de novo aquela fonte de prazer.


O especialista também explica que geralmente momentos felizes são repletos de comida, exemplo: comíamos quando nossos pais queriam nos recompensar, quando comemoramos algo, fazemos visitas, festas e etc. Portanto, a referência que temos sobre alimentação acaba sendo distorcida desde cedo, fazendo com que a relacionemos ao prazer, e não com sua real necessidade, que é suprir o corpo com vitaminas e não ficar com fome.


“Uma curiosidade é que pessoas mais visuais e sinestésicas possuem maior tendência a comer assim, do que as auditivas. As primeiras pela imagem da comida – ‘comem com os olhos’ e as segundas pela sensação gostosa e pela textura”, comenta Furlan.

O que fazer para se controlar?

Segundo Dr. Jô Furlan, é preciso constantemente treinar seu comportamento para mudar um hábito ou conseguir dominar-se melhor em algumas situações. Ele traz algumas sugestões para pensarmos antes de sair comendo por aí:

Faça três perguntas:

Vou comer comida ou emoção? Eu preciso comer isso agora? Essa quantidade é a ideal?

Estas questões nos ajudam a diferenciar os “tipos de fome”. Quando estamos com fome física, podemos esperar um pouco, comer qualquer coisa e em menos quantidade. A “fome emocional” pode ser reconhecida por temos a necessidade de comer um alimento específico, de preferência imediatamente e geralmente além do que precisamos.

Mastigue bastante (de 20 a 30 vezes) e repouse os talheres na mesa a cada garfada:

O tempo básico da refeição não deve ser menor que 20 minutos, pois é o tempo que o cérebro leva para ativar o centro de saciedade. Quando se come rápido, a tendência é sair da mesa ainda com a sensação de fome, ou comer mais até sentir-se satisfeito.

Evitar ficar à mesa após as refeições

Ficar ali sugere comer mais, sem nenhuma necessidade. Escolha ajudar a lavar a louça, ir para outro cômodo ou escovar os dentes.

Desvie a atenção: veja um filme, tome banho, vá fazer uma caminhada.

Quando o stress se prolonga, também é indicado comprometer-se com outras coisas e estabelecer metas. Dessa forma, ao invés de sentir culpa por não ter feito nada para resolver seu problema e ainda ficar com a preocupação de engordar, é uma maneira de focar sua atenção em outra atividade que pode te fazer bem!