O último sábado (7) foi de reflexão e troca de ideias no Centro Cultural Cecília Correa Carvalho (5C), organização da sociedade civil que atua com crianças, adolescentes e jovens da rede pública em Paranaguá. A ocasião marcou mais uma edição do Cumbuca, projeto do 5C que promove rodas de conversa sobre sonhos, futuro e o papel da juventude na construção de um mundo mais justo. A ação conta com o apoio da Portos do Paraná, que tem fortalecido a parceria com o centro cultural.
Criado em 2023, o Cumbuca está em sua terceira edição e reúne jovens em encontros dinâmicos, nos quais são convidados a refletir sobre suas trajetórias, suas perspectivas e suas contribuições para a sociedade. A proposta é simples, mas profunda: fomentar o autoconhecimento, a escuta e o diálogo.
“Uma pergunta que a gente sempre faz quando eles chegam aqui é: ‘Qual é o seu sonho?”, relata Juliane Carvalho, representante do 5C. “É uma pergunta difícil de responder, mas ela incentiva os jovens a repetirem essa reflexão com base no nosso livro do 5C, que conta a história do projeto e a trajetória do João Costa, idealizador do centro”, diz.

O 5C, fundado em 2015 por João Costa, é mais do que um centro cultural. É um espaço de acolhimento, aprendizagem e transformação social. Hoje, a instituição atende mais de 300 crianças e adolescentes com atividades como karatê, música, informática, reforço escolar e, em breve, inglês.
“O 5C representa conhecimento, cultura, cooperação, conscientização e compromisso com os jovens. O mais bonito de tudo é perceber o potencial dessas crianças. Já temos relatos de mães dizendo que seus filhos passaram a se desenvolver melhor, conseguem falar em público, fazer amizades, prestar atenção. É isso que o 5C busca: que eles se expressem melhor e interajam mais, dentro e fora de casa”, afirma Juliane.
Apoio institucional
O trabalho desenvolvido pelo 5C tem ganhado cada vez mais reconhecimento. Um dos parceiros da iniciativa é a Portos do Paraná, empresa pública que administra os portos de Paranaguá e Antonina. Para o diretor-presidente, Luiz Fernando Garcia da Silva, o apoio a projetos sociais como o do 5C representa um compromisso com o desenvolvimento humano e a cidadania.

“São projetos importantes, que trabalham junto à nossa comunidade, especialmente nas áreas mais vulneráveis. E o 5C é um exemplo disso. É um projeto do qual o Porto tem orgulho de participar, contribuindo com iniciativas de inclusão, desenvolvimento e conscientização voltadas à juventude – que é o nosso futuro”, afirma Garcia.
“Parabenizo o João, que lidera um projeto brilhante, mesmo com todas as dificuldades de se trabalhar na área social. O Porto se sente honrado em fazer parte disso. Esperamos que essa parceria inspire outras empresas a também colaborarem com projetos tão importantes, que beneficiam nossa sociedade e, em especial, a comunidade do litoral”, complementa.
Da infância à atuação
O impacto do 5C pode ser medido em histórias de vida como a de Jhenyffer Vivian de Carvalho Belo, que começou como participante e hoje é uma das funcionárias da organização. “Sou uma das oito primeiras crianças atendidas pelo projeto, desde a fundação. Comecei nas oficinas e, com o tempo, fui me apaixonando pelos projetos. Quando atingi uns 14 ou 15 anos, decidi ajudar como voluntária. Durante a pandemia, o projeto parou por quase dois anos e retomamos em 2023. Foi aí que percebi que queria continuar ajudando de verdade”, conta.
“Hoje, estou junto com a equipe, ajudando as crianças a desenvolverem seus sonhos. Tenho o privilégio de ver o sorriso delas, de acompanhar de perto esse crescimento e transformação”, afirma Jhenyffer.

Caminhos para o futuro
Ao apostar na cultura como ferramenta de inclusão, o 5C se firma como um agente de mudança em Paranaguá. Em cada roda de conversa do Cumbuca, em cada aula de karatê ou de música, pulsa um esforço coletivo pela valorização dos sonhos e pelo fortalecimento da juventude local.
“A transformação que buscamos começa no olhar, na escuta e no acolhimento. E é isso que fazemos aqui: mostramos que sonhar é o primeiro passo para transformar a própria realidade”, conclui Juliane.






