Por Elano Squenine
O Farol das Conchas, localizado na Ilha do Mel, no Morro das Conchas, é um dos maiores símbolos do litoral paranaense. O monumento guarda mais do que uma vista privilegiada, ele carrega memórias, curiosidades e capítulos importantes da história da navegação no Paraná.
O historiador Hamilton Sampaio Junior revela a importância do Farol e explica como esse patrimônio se tornou uma referência cultural e turística da região.
“Já se falava nos escritos de Antônio Vieira dos Santos, em 1850, sobre a necessidade desse farol e sobre a visão que ele tinha do crescimento do porto que estava acontecendo. Os portos já estavam abertos no Brasil e então Paranaguá se tornou um polo no Sul do país de transporte e de entrada de mercadorias”, explica Hamilton.
Polo de transporte e entrada de mercadorias
O historiador explica que, pelo fato de a região ser um polo de transporte e de entrada de mercadorias, havia a necessidade de implantar um farol para orientar os navios na entrada do porto.
“Existiam até então sinalizadores na ilha, e em 1860/1862, mais ou menos, começou-se a se falar no projeto para a construção de um farol. Primeiro precisava-se achar um local para ser feito esse farol, então foi designado o Tenente José Maria Nascimento e o Sr. Júlio Álvaro Macedo, que era Engenheiro, para acharem um local propício para ser construído o farol”, destaca.

Hamilton destaca ainda que, na época, o local mais propício para a construção seria o Morro das Conchas, na Ilha do Mel. “E foi encomendado um farol, o farol de ferro veio pronto, da empresa JP Maclellan, que era uma empresa de Glasgow, na Escócia, Reino Unido, Inglaterra, veio para cá e foi montado ali”, afirma.
Sobre o Farol das Conchas
Conforme o historiador, o Farol das Conchas tem 6 metros de base, 18 metros de altura e está a 67 metros do nível do mar. O alcance dele é em torno de 20 milhas, quase 40 quilômetros. “Isso foi feito precariamente desse jeito no começo. Em 25 de março de 1872, foi feita a inauguração oficial do farol. O primeiro faroleiro foi Antônio Vicente, que ficava numa dependência próxima dali. Em 1874, foi construída uma casa na base do farol, onde seria a residência oficial do faroleiro”, conta.
“Ao decorrer dos anos, houve as mudanças na praticagem de Paranaguá, foi criada a praticagem oficialmente, e aí começaram a ocupar próximo ao farol, na Vila da Praticagem, Vila dos Práticos, que usava a infraestrutura do farol até 1970”, destaca.

Na década de 70, o farol começou a receber energia elétrica e hoje funciona com painéis solares. “No início, em 1872, ele funcionava com óleo de peixe ou óleo de baleia e tem vários registros desse óleo entregue por navios em Paranaguá e depois repassado na ilha, porque ele tinha uma importância muito grande”, salienta Hamilton.
Importância histórica
“O farol, pela sua importância histórica, se tornou um aparelho turístico e pode permanecer como um aparelho turístico muito importante para a cidade de Paranaguá, um lugar de visitação e um lugar de identidade mesmo do parnanguara que tem essa ligação com o porto, com o trabalho portuário, com toda essa engrenagem econômica que acontece”, completa o historiador.







