Dois conferentes associados ao Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga nos Portos do Estado do Paraná (Confepar), em Paranaguá, foram os únicos representantes do Brasil a concluir o Portworker Development Programme 2 – Training of Trainers (PDP2 ToT), curso internacional promovido pelo Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho (OIT/ITCILO), em parceria com o Departamento de Políticas Setoriais da OIT (Sector). A capacitação foi realizada entre 27 de abril e 29 de maio, em formato on-line, com carga horária de 80 horas e financiamento do governo da República da Coreia.
Os conferentes Diego Carvalho Florentino e Matheus Borba participaram de um processo seletivo internacional e integraram uma turma de 29 profissionais de países da Ásia, África, América Latina e Caribe. O programa tem como objetivo formar instrutores capazes de disseminar conhecimentos sobre operações portuárias, segurança do trabalho e movimentação de cargas a granel, qualificando trabalhadores e contribuindo para a melhoria das condições de trabalho nos portos.
Criado pela OIT, o PDP2 tem como objetivo formar instrutores especializados para disseminar boas práticas de segurança e eficiência nas operações portuárias com cargas a granel. A capacitação aborda o transporte, a movimentação e a armazenagem de produtos como fertilizantes, grãos, carvão e minério de ferro, realidade presente em grandes portos como o de Paranaguá. Ao concluir o treinamento, os participantes tornam-se aptos a ministrar cursos e capacitações voltados aos trabalhadores portuários, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para o aprimoramento das operações em portos e terminais.
O presidente do Confepar, José Eduardo Antunes, destaca que a participação dos conferentes foi possível devido à filiação do sindicato à Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF). Segundo ele, a formação representa um avanço importante para a categoria.
“Ter dois conferentes de Paranaguá entre os únicos brasileiros selecionados para uma formação da Organização Internacional do Trabalho demonstra o nível técnico dos nossos profissionais e o compromisso do sindicato com a qualificação permanente. Esse resultado fortalece o Confepar e cria condições para que esse conhecimento seja compartilhado com toda a comunidade portuária, elevando os padrões de segurança, eficiência e profissionalização no Porto de Paranaguá”, diz.
Antes mesmo do início da capacitação, o Confepar encaminhou à OIT uma carta oficial recomendando a participação de Matheus Borba e Diego Florentino, destacando seu desempenho profissional, capacidade técnica e o potencial de aplicação do conhecimento adquirido nas atividades desenvolvidas pelo sindicato.
Formação de instrutores
O treinamento foi dividido em duas etapas. Na primeira, os participantes realizaram três semanas de estudos individuais sobre operações portuárias, terminais, navios, cargas, procedimentos operacionais e segurança, concluindo avaliações ao final de cada módulo. Na segunda fase, participaram de duas semanas de aulas interativas conduzidas por especialistas da OIT, nas quais aprenderam metodologias de ensino e realizaram atividades práticas de microensino, ministrando aulas para os próprios colegas e recebendo avaliações dos instrutores internacionais.
Segundo o conferente Diego Florentino, a experiência foi inédita na carreira. “Eu nunca tinha participado de um treinamento desse porte, ainda mais em uma língua que não é a minha língua materna. Foi uma oportunidade única, proporcionada pela ITF e pelo financiamento do governo da Coreia. Foi muito gratificante ser escolhido”, afirma.

Além do aprendizado técnico, Diego destaca que a formação amplia as possibilidades de atuação do sindicato. “O curso trouxe uma formação muito válida para quem quer se tornar instrutor no ramo portuário e abre portas para mim e para o Confepar atuar no apoio à comunidade portuária com treinamentos”, avalia.
Outro ponto ressaltado foi o intercâmbio internacional. “Foi muito interessante construir networking com trabalhadores portuários do mundo inteiro e com os instrutores da OIT. Participaram profissionais do Camboja, Dominica, Índia, Maldivas, Myanmar, Nigéria, Paquistão, Peru, Sri Lanka, Emirados Árabes Unidos e Timor-Leste”, conclui.
Conhecimento para ser multiplicado
Engenheiro de Segurança do Trabalho e conferente, Matheus Borba afirma que a formação trouxe ganhos imediatos para sua atuação profissional. “O curso foi excepcional. Agrega muito na parte de segurança, logística e otimização das operações com cargas a granel, especialmente fertilizantes. Mesmo no trabalho diário como conferente, você passa a observar detalhes que antes acabavam passando despercebidos”, pontua.
Segundo ele, o maior legado da capacitação será a possibilidade de compartilhar o conhecimento. “O próprio nome do curso já diz tudo: é um treinamento de treinadores. A ideia é formar pessoas para que elas possam disseminar esse conhecimento e ampliar a cultura de segurança e boas práticas dentro do setor”, diz.

Apesar da rotina intensa, com aulas realizadas durante a madrugada por causa do fuso horário entre Brasil e Europa, Matheus considera que o esforço valeu a pena. “Foi uma experiência extremamente positiva. Espero conseguir difundir tudo o que aprendi, porque conhecimento não adianta de nada se ficar só para quem participou. O importante é compartilhar e fazer com que isso beneficie outras pessoas”, finaliza.






