Por Luiza Rampelotti
A partir desta terça-feira, 1º de abril, caminhoneiros autônomos do Litoral do Paraná iniciam uma paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi tomada pela Associação dos Caminhoneiros Autônomos do Litoral do Paraná (ACLP) após a frustração nas negociações sobre o reajuste anual do frete com transportadoras e armadores que atuam no Porto de Paranaguá.
A principal reivindicação da categoria é o reajuste de 12,47% nos valores dos fretes internos, percentual aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e comunicado às empresas ainda em fevereiro. Segundo os trabalhadores, a negativa por parte da maioria das transportadoras em aceitar o reajuste levou à deflagração da greve.
Em entrevista à Ilha do Mel FM, o presidente da ACLP, João Carlos Selmer Júnior, explicou que a mobilização também busca chamar a atenção para outros problemas enfrentados pela categoria, como bloqueios arbitrários de motoristas e dificuldades no acesso aos terminais portuários.
“Todo ano passamos por essa situação. Só conseguimos algum avanço quando precisamos parar. Além do reajuste, estamos reivindicando a redução das penalidades injustas aplicadas aos motoristas, como os bloqueios automáticos após acidentes ou avarias, que os deixam dias ou até semanas sem poder trabalhar”, afirmou Selmer.
Reunião com TCP e avanços pontuais
Em reunião realizada na última segunda-feira (31) entre representantes da ACLP, o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), e a empresa Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), foram sinalizadas algumas respostas às demandas dos caminhoneiros.
Segundo a ACLP, a TCP se comprometeu a revisar o sistema de penalizações, especialmente os bloqueios de motoristas em caso de incidentes. A empresa também prometeu colaborar com a criação de um sistema de fiscalização para melhorar o fluxo e o acesso dos caminhões ao terminal, além de anunciar uma redução no valor do “no-show” — taxa cobrada quando o motorista agenda o serviço e não comparece.
“Esses são avanços importantes, mas ainda insuficientes diante das necessidades da categoria. Continuamos aguardando um posicionamento das transportadoras em relação ao reajuste e contamos com o apoio da Prefeitura para fiscalizar os terminais que geram filas e transtornos, como na Avenida Senador Atílio Fontana”, acrescentou o presidente da ACLP.
À Ilha do Mel FM, a TCP afirmou que “diante da reivindicação feita pela Associação dos Transportadores Caminhoneiros Autônomos em Paranaguá (ACLP) quanto ao aumento do valor do frete interno, a TCP – empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá – esclarece que não possui relação direta com os reajustes praticados nessa cobrança específica. O estabelecimento desses valores cabe aos motoristas autônomos, ficando a cargo das transportadoras aceitá-los ou não. A TCP reforça seu compromisso com a operação eficiente do terminal e informa que, diante do cenário de greve dos caminhoneiros em Paranaguá, suas atividades seguirão normalmente, sem impacto operacional. Os gates permanecerão funcionando, e, conforme informado pelo líder da manifestação, não haverá bloqueios que impeçam o acesso ao terminal, incluindo o SAV (pré-gate) da TCP. Reforçamos também nossa postura proativa no diálogo com os transportadores. A TCP recebeu os líderes do movimento para ouvir suas demandas e está alinhando soluções para atender às necessidades apresentadas, sempre visando a melhoria contínua das operações no terminal“.
A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de Paranaguá e, assim que houver posicionamento oficial, o conteúdo será atualizado.
Caminhoneiros de fora e concorrência desleal
Outro ponto levantado pela associação é a presença de empresas externas que, segundo a categoria, estariam tomando o espaço dos trabalhadores locais. A ACLP denuncia que empresas de grande porte, antes contratantes dos caminhoneiros da região, passaram a operar com frota própria ou com autônomos de fora da cidade, o que tem reduzido a oferta de trabalho para os profissionais da região.
“Nós construímos o trabalho aqui e agora vemos empresas de fora assumindo o serviço. Isso é injusto. Precisamos de uma política de proteção ao trabalhador local”, reforçou Selmer.
Pedido de apoio às autoridades municipais
A associação também pediu apoio direto à Prefeitura de Paranaguá para fiscalizar os terminais que provocam congestionamentos e organizar o tráfego na região portuária. A proposta é que seja criado um sistema de fiscalização mais eficiente para ordenar o acesso aos terminais e evitar que caminhões fiquem parados por horas, gerando perdas financeiras e transtornos logísticos.
“A ACLP reforça que a greve será mantida até que haja um acordo efetivo com as transportadoras e armadores e que novas medidas sejam implementadas para garantir melhores condições de trabalho e respeito à categoria”, conclui o presidente João Carlos Selmer Júnior.