O empresário Mauro Fernandes Júnior, de 41 anos, morreu na tarde da última terça-feira (29) após sofrer uma parada cardíaca durante uma sessão de ozonioterapia realizada em um estabelecimento de saúde localizado na Avenida Coronel Santa Rita, em Paranaguá. A sessão era voltada para tratamento de dores na região do ombro. Mauro era proprietário da PNG Port Serviços Marítimos e deixa esposa e dois filhos pequenos.
A ocorrência foi registrada por volta das 15h10, quando a central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) recebeu um chamado referente a um possível mal súbito em um estabelecimento de saúde. Segundo o assessor de imprensa do SAMU Litoral, Rafael Rodrigues, a equipe de suporte básico foi imediatamente enviada e, diante da gravidade da situação, a unidade de suporte avançado (UTI móvel) também foi acionada, chegando ao local cerca de 20 minutos depois, mas encontraram Mauro já inconsciente.
“Foram aplicados todos os protocolos de reanimação. O paciente era jovem, então houve esforço intensivo para revertê-la. A equipe tentou reanimá-lo por cerca de 50 minutos, mas infelizmente o óbito foi confirmado no local”, explicou Rafael em entrevista à Ilha do Mel FM.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o pai da profissional responsável pela aplicação do procedimento relatou que Mauro estava em atendimento com sua filha, uma especialista em ozonioterapia. Após a morte, a profissional deixou o local, segundo o relato do pai, “a fim de se preservar de um possível tumulto”.
Mais tarde, no entanto, ela retornou à clínica e prestou esclarecimentos à equipe policial. A profissional relatou que, durante o procedimento, Mauro começou a se queixar de tontura e, ao receber a aplicação na região do ombro, afirmou estar passando mal e com dificuldade para respirar, vindo a desmaiar em seguida. Ela afirmou que, diante da emergência, realizou massagem cardíaca com o auxílio de um assistente e acionou o SAMU.
Segundo informações colhidas no local, a profissional apresentou à Polícia Militar seu diploma de pós-graduação em Ozonioterapia e Suplementação Aplicada à Prescrição, além do alvará de localização e funcionamento autônomo expedido em 2024.
A esposa da vítima, que também estava presente, informou que Mauro havia descoberto recentemente um quadro de hipertensão arterial e, desde a última aplicação de ozônio realizada na semana anterior no mesmo local, vinha se queixando de tonturas. No dia do ocorrido, ele teria praticado natação antes de se dirigir à clínica para uma nova sessão.
Além da Polícia Militar, também estiveram no local equipes da Polícia Civil, da Agência Local de Inteligência, da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal (IML), para onde o corpo foi encaminhado. A investigação será conduzida pela Delegacia Cidadã de Paranaguá. A causa oficial da morte será determinada após a conclusão dos exames periciais.
Velório
O corpo de Mauro Fernandes Júnior está sendo velado no Templo da Terceira Igreja Batista de Paranaguá, na Ilha dos Valadares, comunidade onde o empresário nasceu e era amplamente conhecido. O culto fúnebre está marcado para às 10h30 desta quarta-feira (30), com sepultamento previsto para as 16h no Cemitério Jardim Eterno.
Mauro era proprietário de uma empresa do ramo portuário, especializada em reparos navais, e atuava também em projetos sociais com crianças na região da Ilha dos Valadares. Sua morte repentina comoveu moradores da Ilha dos Valadares, onde era considerado um exemplo de dedicação à comunidade.
Ozonioterapia: procedimento legal, mas controverso
A ozonioterapia é uma prática legalizada no Brasil como terapia complementar, mas ainda cercada de controvérsias e debates entre especialistas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) não a reconhece como tratamento médico convencional, autorizando seu uso apenas em caráter experimental e com diversas restrições.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também se posiciona com cautela. Em nota técnica, o órgão afirma que “não há, até o momento, nenhuma evidência científica significativa de que haja outras aplicações médicas para a utilização de tal substância nas modalidades de ozonioterapia aplicada em pacientes”. As únicas indicações reconhecidas por sua eficácia e segurança estão no campo da Odontologia e, de forma secundária, na estética, para fins de assepsia da pele.
Diante da morte do empresário, a Polícia Civil deve aprofundar as investigações sobre as circunstâncias do procedimento e a regularidade da clínica, que apresentou documentação à Polícia Militar, incluindo diploma de pós-graduação e alvará de funcionamento.







