O Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (8), será marcado por um encontro no Aeroparque, em Paranaguá, a partir das 14 horas. A programação inclui roda de conversa, microfone aberto, poesia, exposição e comercialização de artesanato, além de um chamado público à mobilização contra a violência e a desigualdade de gênero no município.
O evento é organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, União Brasileira de Mulheres (UBM), Marcha Mundial de Mulheres, Parnanguarte, Casa Hortelã, Núcleo de Direitos Humanos Marielle Franco, com colaboração do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Paranaguá (Sismmap) e da Pastoral da Aids.
A iniciativa ocorre em um contexto preocupante. Em 2025, um levantamento da Tewá 225, com base nos indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da ONU e no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR 2024), apontou Paranaguá como a pior cidade do Brasil para mulheres viverem entre os 319 municípios com mais de 100 mil habitantes.
O estudo considerou dados como taxa de feminicídio, desigualdade salarial, representatividade política feminina, percentual de jovens mulheres que não estudam nem trabalham e diferenças de acesso a oportunidades entre homens e mulheres.
Entre os indicadores destacados, Paranaguá apresenta apenas 35,3% de mulheres no mercado formal de trabalho, baixa presença feminina em cargos de liderança e um índice de 26,6% de jovens mulheres entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham. Em âmbito nacional, 99% dos municípios analisados registram taxas de feminicídio acima de 3 casos a cada 100 mil mulheres, e mulheres negras seguem sendo as principais vítimas de violência doméstica e feminicídio.
Para Gilmara Gastaldon Piantá, da União Brasileira de Mulheres do Paraná e do Litoral, o 8 de março precisa ser entendido como um marco de luta, não apenas de homenagem. “É um convite muito especial a todas as mulheres parnanguaras, às vizinhas, amigas, ao pessoal do litoral todo. O Dia Internacional das Mulheres também significa resistência, luta contra todas as formas de opressão e de violência que temos visto. Chega de tantos casos de violência contra as nossas mulheres”, afirma.
Ela reforça que o objetivo é provocar reflexão coletiva sobre o cenário local. “Nós temos que tirar Paranaguá do mapa de uma das piores cidades para as mulheres viverem. Precisamos ocupar os espaços e fortalecer essa rede de apoio e de luta”, diz.
A proposta é que o evento seja coletivo e participativo. As organizadoras orientam que as mulheres levem canga e lanche para compartilhar, além de poesias, artesanatos e ideias. Haverá microfone aberto e espaço para comercialização de produtos feitos por mulheres.
Historicamente, o 8 de março tem origem nas lutas por melhores condições de trabalho, igualdade salarial, direitos políticos e enfrentamento à violência de gênero. Ao longo das décadas, a data se consolidou como um momento de mobilização global.
Mais do que uma confraternização, o ato pretende fortalecer redes de apoio, ampliar o debate sobre políticas públicas e reafirmar o 8 de março como data histórica de reivindicação por igualdade de direitos, segurança e autonomia econômica.
A expectativa é reunir mulheres de diferentes bairros e também de outros municípios do Litoral, ocupando o Aeroparque como símbolo de presença, resistência e construção coletiva.







