Por Luiza Rampelotti
A formalização da federação entre os partidos Progressistas (PP) e União Brasil, anunciada oficialmente no fim de abril em um evento no Salão Negro da Câmara dos Deputados, em Brasília, já repercute na composição da Câmara Municipal de Paranaguá. O movimento, que dá origem à chamada União Progressista, tem como objetivo nacional formar uma frente de centro-direita robusta e competitiva para 2026. Em âmbito local, a nova configuração política reordena a correlação de forças e une, sob a mesma legenda federada, cinco vereadores do Legislativo parnanguara.
Com a união formal entre os partidos, os vereadores Antonio Ricardo dos Santos e Renan Brito, eleitos pelo PP, passam a compartilhar a mesma bancada federada com Irineu Cruz, Halleson Stieglitz e Francisco Carlos Busmaier (o Chiquinho), do União Brasil. A federação coloca o grupo em igualdade numérica com o Republicanos, legenda do prefeito Adriano Ramos, que também detém cinco cadeiras, consolidando as duas como as maiores bancadas da atual legislatura.
“Não adianta fundir se não tiver união”, diz vereador Antonio Ricardo
Em entrevista à Ilha do Mel FM, o vereador Antonio Ricardo dos Santos, que agora integra a União Progressista, avaliou a fusão como um movimento estratégico e simbólico no cenário político nacional, mas ponderou que o sucesso da federação dependerá da coesão real entre seus integrantes.
“A União Progressista tem que ter uma união de verdade. Não adianta fundir se não tiver união. Se na janela partidária muita gente sair, tudo isso que estão planejando pode se enfraquecer”, afirmou o parlamentar.
Para ele, o momento representa uma oportunidade de amadurecimento político e exige equilíbrio entre os diferentes perfis da federação. “Cada um tem seu espaço, tem seus ícones. Acho que é uma coisa nova que precisa amadurecer sem machucar ninguém. A política é muito dinâmica. Você pode conciliar muitas coisas, e não precisa ser radical o tempo todo”, completou.
Questionado sobre as diferenças de posicionamento entre os vereadores que agora integram a mesma bancada, Ricardo afirmou que não se considera oposição ao prefeito Adriano Ramos e que, inclusive, vem atuando de forma colaborativa. “Nunca me intitulei como oposição. Hoje estou mais dentro da base do Adriano do que como independente. Sempre disse que queria ajudar o governo. Se eu puder ajudar, vou ajudar sempre. Não tenho problema pessoal nem partidário com isso”, disse.
Uma federação com impacto nacional
Criada após meses de negociação entre líderes nacionais, a União Progressista surge como a maior federação partidária do país, ultrapassando inclusive o PSD, do governador paranaense Ratinho Júnior, em número de prefeitos e com 109 deputados na Câmara. A federação já é vista por analistas como uma “cartada” antecipada para as eleições de 2026, especialmente diante da disputa polarizada entre o campo da esquerda e o PL, que hoje lidera a direita.






