Um caso de agressão dentro do Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, deve ser investigado pela Polícia Civil. O episódio foi registrado oficialmente nesta quarta-feira (11), após um paciente de 18 anos denunciar que sofreu maus-tratos enquanto está internado, em recuperação de um atropelamento.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar como lesão corporal, o jovem ficou sozinho na enfermaria de segunda-feira (9) até esta quarta (11), período em que sua mãe não pôde acompanhá-lo. Ele havia sido intubado após uma cirurgia, em razão da gravidade do acidente, e, após a extubação, perdeu temporariamente a capacidade de falar, passando a se comunicar apenas por gestos e por mensagens escritas em seu celular.
Foi por meio do celular que ele relatou à mãe, ao reencontrá-la, que teria sido agredido por um técnico de enfermagem. Segundo o relato, o profissional, de 43 anos, teria utilizado faixas para amarrar violentamente seu braço direito, o que lhe causou inchaço e lesões. O paciente também afirmou ter levado tapas no rosto e ter os dedos das mãos torcidos propositalmente, com o objetivo de causar sofrimento.
A denúncia foi reforçada por uma testemunha que também estava internada na mesma enfermaria e afirmou ter visto o técnico amarrando o paciente “com muita raiva e força”, a ponto de produzir barulho com as faixas. De acordo com ela, o jovem chorava constantemente, em aparente dor e desespero.
A situação só veio à tona após a mãe procurar a assistência social do hospital, que confirmou ter tomado conhecimento do caso apenas nesta quarta-feira. Segundo o BO, um fisioterapeuta da unidade também percebeu a gravidade da contenção e precisou cortar as faixas do antebraço do paciente, que estava bastante inchado por conta da possível obstrução da circulação sanguínea.
O profissional acusado não estava no plantão no momento da denúncia, pois se encontrava de folga. A Polícia Militar foi acionada, constatou as lesões, registrou a ocorrência e orientou que as partes envolvidas comparecessem à Delegacia de Polícia Civil para formalização da denúncia.
A Polícia Civil deve instaurar inquérito para apurar os fatos. Até o momento, o técnico de enfermagem ainda não foi ouvido formalmente pelas autoridades.
A identidade do paciente e das testemunhas está sendo preservada para garantir sua segurança e integridade.
Posicionamento da Sesa
Em nota enviada à Ilha do Mel FM, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que “repudia qualquer ato de desrespeito ou conduta inadequada no atendimento a pacientes” e que o caso está sendo investigado pelas autoridades competentes. A Sesa confirmou que o Hospital Regional do Litoral instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis. A secretaria destacou ainda que a unidade está colaborando integralmente com a investigação.
A Sesa também esclareceu que o técnico de enfermagem citado na ocorrência não integra o quadro de servidores do Estado, sendo funcionário de uma empresa terceirizada contratada para prestar serviços ao hospital. Segundo a pasta, um processo para seu afastamento já está em andamento.
O atropelamento
O jovem que denunciou as agressões dentro do Hospital Regional do Litoral é calouro do curso de Licenciatura em Educação Física da UFPR Litoral, em Matinhos. Ele foi vítima de um grave atropelamento no dia 6 de maio, ao retornar da universidade. Após descer do ônibus, foi atingido por uma motocicleta.
Desde então, estava internado no HRL, tendo passado a maior parte do tempo na UTI, em estado delicado, com traumatismo craniano e outras lesões graves na bacia. Ele também precisou ser submetido a uma cirurgia no quadril.






