Por Luiza Rampelotti com entrevista de Mauro Júnior
Paranaguá enfrenta um novo desafio com as fortes chuvas que atingiram o Litoral do Paraná no último fim de semana (7 e 8). Mais de 500 famílias foram impactadas, 45 bairros registraram alagamentos e danos estruturais, levando a Prefeitura a decretar estado de emergência na cidade. O prefeito Adriano Ramos (Republicanos), em entrevista exclusiva à Ilha do Mel FM, na noite de sábado (10), diretamente do Palácio São José, sede do Poder Executivo de Paranaguá, detalhou as ações emergenciais adotadas pelo município e a gravidade da situação enfrentada pela população.
“Foi algo muito forte, atingimos 282 mm de chuva em 48 horas, segundo o INMET, um volume completamente fora da normalidade. Desde sexta-feira (7), 17h, estamos acompanhando a situação da cidade, mobilizando todas as secretarias para atender as famílias atingidas. Passei a noite percorrendo os bairros e ouvindo os moradores para entender a força da enxurrada e como podemos atuar da melhor forma”, declarou o prefeito.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), em Paranaguá, o acumulado de chuvas chegou a 144 mm em 18 horas, entre a noite de sexta-feira (7) e a madrugada de sábado (8).
Estrutura insuficiente e busca por recursos
Segundo Adriano, a precariedade da infraestrutura municipal agrava a situação. “Recebemos a Prefeitura com pouquíssimos equipamentos. Nosso secretário de Obras, engenheiro Ozéias Rabello, relatou que, com a estrutura atual, não conseguimos atender toda a cidade. Temos apenas uma retroescavadeira e uma motoniveladora, enquanto temos bairros extensos como Alexandra e Atílio Fontana, além das colônias e ilhas que foram duramente atingidas”, explicou.
Diante do cenário, o chefe do Executivo afirmou que já acionou autoridades estaduais e federais para buscar apoio. “Conversei com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi, que prontamente marcou uma reunião para segunda-feira (10), às 8h30, para tratar do decreto de emergência. Precisamos de apoio do Governo do Estado e do Governo Federal para estruturar a prefeitura e conseguir recursos para reconstrução”.
Zona rural entre as áreas mais afetadas
As comunidades rurais também registraram estragos significativos, com estradas destruídas e dificuldades de acesso. O secretário de Agricultura e Pesca, Márcio Vega, se emocionou ao relatar a impotência diante da falta de equipamentos para recuperação das vias. “O impacto foi devastador. Precisamos urgentemente de máquinas para abrir caminhos, limpar rios e canais, e evitar que novas chuvas tragam ainda mais prejuízos às famílias que vivem nessas áreas”, destacou.
Segundo Adriano Ramos, a Secretaria Municipal de Assistência Social já iniciou a distribuição de cestas básicas e o atendimento via CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). “Temos muitas famílias em situação de vulnerabilidade, que perderam tudo. Estamos atuando para garantir abrigo, alimentação e suporte a essas pessoas”, disse o prefeito.
Infraestrutura precária agrava os danos
Os alagamentos recorrentes em Paranaguá expõem um problema antigo: a precariedade do sistema de drenagem. Segundo Adriano Ramos, grande parte da rede de esgoto e água pluvial da cidade é compartilhada, o que sobrecarrega os sistemas durante períodos de chuva intensa. “Recebemos relatos de moradores mostrando as tubulações completamente entupidas. Essa falta de manutenção ao longo dos anos tem um preço alto, e quem paga são as famílias que perdem seus bens a cada nova tempestade”, lamentou o prefeito.
Para enfrentar o problema, a Prefeitura pretende investir na revitalização da rede de drenagem, além de cobrar da concessionária Paranaguá Saneamento uma solução para a sobrecarga da infraestrutura.
Compromisso com a reconstrução da cidade
Em sua mensagem final, o prefeito reforçou o compromisso da gestão com a recuperação de Paranaguá. “O que estamos vendo corta o coração. Famílias inteiras perderam seus bens, alimentos e eletrodomésticos. Pais e mães desesperados, colocando os filhos no beliche para protegê-los da água. Isso é inaceitável. Por isso, vamos investir na infraestrutura que precisa ser feita, independentemente de reeleição ou interesses políticos. Nossa prioridade é garantir que o povo parnanguara não precise mais passar por esse sofrimento”, concluiu.