Por Luiza Rampelotti
O clima é de indignação e incerteza no Terminal da Transpetro em Paranaguá (Tepar), onde trabalhadores e trabalhadoras da empresa terceirizada Tecnokip deflagraram nesta quinta-feira (15) uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada por unanimidade em assembleia geral realizada na segunda-feira (12), convocada pelo Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC), após mais um episódio de atraso salarial.
A empresa, que já havia deixado de pagar os vencimentos de fevereiro no prazo, voltou a atrasar o pagamento da folha de abril, situação que motivou o início do movimento grevista. Na sexta-feira (9), os funcionários já haviam cruzado os braços em forma de protesto, mas sem sucesso nas negociações.
“Não há mais confiança alguma na palavra da empresa. Na quinta-feira alegaram problemas bancários e disseram que o pagamento cairia na sexta, mas sequer apresentaram os comprovantes. O que mais preocupa é que a Tecnokip está perdendo contratos em todo o país, o que pode indicar um colapso financeiro. A luta passa a ser também pela manutenção dos empregos. Acredito que será uma greve forte e longa”, avaliou Thiago Olivetti, secretário do setor privado do Sindipetro-PR/SC.
Além dos atrasos recorrentes, os trabalhadores denunciam a deterioração das condições de trabalho. A empresa trocou o plano de saúde, já que o anterior foi suspenso por falta de pagamento. O plano odontológico previsto em contrato e no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi extinto. Também há queixas sobre a precariedade dos uniformes e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e a ausência de depósitos do FGTS, apesar da alegação da empresa de que os repasses estariam sendo feitos.
Apoio de outras categorias e resistência a desvio de função
A greve conta com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Paranaguá e Litoral. A entidade reagiu à tentativa da Transpetro de remanejar trabalhadores da manutenção — representados pelos metalúrgicos — para cobrir as funções dos operadores em greve.
“Entregamos um ofício para a Transpetro e para a empresa informando que nossos representados não devem ser deslocados para atividades que não condizem com seus contratos. Estamos prestando apoio à greve e atuando para garantir que os direitos dos trabalhadores da manutenção também sejam respeitados”, afirmou Silvio Nunes, presidente do sindicato, à Ilha do Mel FM.
Crise nacional
Segundo o Sindipetro, os problemas com a Tecnokip não se limitam ao litoral paranaense. A empresa estaria enfrentando dificuldades em outros estados, com cancelamentos de contratos e denúncias semelhantes de descumprimento de obrigações trabalhistas. Para o sindicato, isso acende um alerta sobre a viabilidade da terceirizada manter os postos de trabalho no Tepar.
Até o fechamento desta reportagem, a Tecnokip e a Transpetro não havia se pronunciado publicamente. O movimento grevista segue sem previsão de encerramento.






