A estreia de um show costuma ser um momento simbólico para qualquer artista. No caso de Juliana Gatto, esse rito ganha ainda mais significado: depois de nove anos de carreira autoral, a cantora-compositora sobe, pela primeira vez, a um palco de festival estruturado para apresentar “Música de Cais”, espetáculo que marca uma nova fase de sua trajetória. A apresentação, que também conta com tradução em Libras, acontece no dia 15 de fevereiro, às 14h, durante o Festival de Carnaval Risoflora, em Morretes, no Litoral do Paraná.
A participação de Juliana no festival é resultado direto de uma conquista coletiva. Ela venceu, em primeiro lugar, o concurso de artistas e bandas promovido pelo Risoflora, que selecionou novos nomes da cena independente por meio de votação popular nas redes sociais, em dezembro de 2025. Foram os votos do público que garantiram à artista a vaga no line-up da edição 2026 – um reconhecimento que, para ela, carrega peso artístico e afetivo.
“Foi através dessa mobilização das pessoas, desse envolvimento coletivo, que eu consegui chegar ao Risoflora. Isso torna tudo ainda mais especial. É a estreia de um show muito importante para mim, em um espaço que sempre é a busca para quem trabalha com compromisso social e artístico”, afirma Juliana.
Um cais como conceito, encontro e travessia
“Música de Cais” não é apenas um repertório reunido para o palco. O show nasce de um conceito construído ao longo dos anos, inspirado na canção “Cais”, do álbum Clube da Esquina (1972), de Lô Borges e Milton Nascimento, e ressignificado a partir das vivências da artista. O cais aparece como metáfora de afeto, pausa, diálogo e movimento, um lugar onde histórias se cruzam, despedidas acontecem e novas travessias começam.
“O cais é esse espaço de encontro entre o tradicional e o contemporâneo. Ele fala de pequenos vilarejos, do mar, do mangue, da pesca, mas também da cidade, da diversidade, das formas como a gente percebe e sente o mundo hoje. É um lugar simbólico que dialoga muito com o litoral paranaense e com a minha própria caminhada”, explica Juliana.
O show reúne 11 canções autorais que atravessam temas como pertencimento, amizade, valorização da natureza, cultura local e processos criativos. As músicas percorrem litorais, vales e cidades grandes, costurando memórias, inquietações e afetos em uma poética marcada pela travessia constante.
Trajetória construída na estrada e na cena independente
Catarinense e atualmente radicada em São José dos Pinhais, Juliana Gatto construiu sua trajetória artística longe de atalhos fáceis. O início da carreira se deu com o projeto Libélula em Verso, marcado por uma proposta de música nômade e apresentações itinerantes, que já apontava para uma relação direta com o território, o deslocamento e a escuta atenta do público.
Em 2022, ela lançou oficialmente sua carreira solo com o EP “Envelopes”, viabilizado por meio do Prêmio de Trajetória Herbert Holetz, em Blumenau (SC). O trabalho teve mixagem e masterização realizadas pelo Estúdio República e consolidou uma etapa importante de amadurecimento artístico. Há cinco anos, a artista também conta com o apoio da Gravadora Experimental da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) de Tatuí, em parceria com estudantes do curso de Produção Fonográfica, colaboração que contribui de forma contínua para o desenvolvimento técnico e estético de sua obra.
No mesmo período, realizou duas mini turnês acústicas, circulando por diferentes regiões do Brasil e também pela Argentina. As referências musicais transitam entre o rock brasileiro, o pop, o indie e sonoridades latinas, sempre atravessadas por uma estética autoral que se estende ao figurino artesanal e às colaborações artísticas que acompanham seus shows.
“Chegar a um festival como o Risoflora, depois de tantos anos de estrada, fortalece muito o trabalho. Isso gera registro, visibilidade e também abre caminhos para novas circulações”, pontua a artista.
Estreia com banda e parcerias no palco
No Risoflora, “Música de Cais” será apresentado com banda, reunindo músicos que potencializam a proposta artística do projeto. Ao lado de Juliana estarão o guitarrista Felipe Locks, braço direito em direção musical, gravações e apresentações na região; Aline Biscaia, na bateria – que une sua atuação como artista e psicóloga para ampliar as experiências sonoras; e Ricardo Pallets, no baixo, parceiro musical consolidado na cena de São José dos Pinhais.
Mais do que um show, a apresentação no festival representa um marco: a materialização de anos de pesquisa, circulação independente e encontros pelo caminho. “É uma estreia, mas também é a celebração de tudo que veio antes”, resume Juliana.
A apresentação integra a programação do festival e convida o público a embarcar em uma travessia musical onde o cais não é fim, mas começo.
Serviço
Show: Música de Cais – Juliana Gatto (com tradução em Libras)
Data: 15 de fevereiro de 2026, às 14h
Evento: Risoflora Festival de Carnaval
Local: Morretes (PR)








