A Ponte de Guaratuba, que será oficialmente inaugurada na próxima sexta-feira (1º), se consolida como um dos maiores marcos recentes da infraestrutura do Paraná não apenas pelo impacto logístico e turístico, mas também por dois fatores que chamam a atenção em um cenário nacional: custo inferior à média e tempo de execução reduzido em comparação a obras semelhantes.
Um levantamento da Secretaria de Infraestrutura e Logística aponta que o custo médio para construção de pontes desse porte no Brasil gira em torno de R$ 25 mil por metro quadrado. No caso da estrutura paranaense, o valor ficou na casa de R$ 18 mil por metro quadrado, o que representa uma redução de aproximadamente 28% em relação ao padrão nacional.
Além da economia, o tempo de execução também se destaca. Considerando o início efetivo das obras em 30 de abril de 2024, quando começaram as atividades de fundação com o uso de perfuratriz, a ponte foi concluída em dois anos, prazo considerado enxuto para uma estrutura dessa complexidade.
Quando comparada a outras pontes brasileiras, a eficiência da obra paranaense fica ainda mais evidente. A Ponte Octávio Frias de Oliveira, por exemplo, conhecida como ponte estaiada de São Paulo e transformada em cartão-postal da capital paulista, tem cerca de 1,6 quilômetro de extensão e levou aproximadamente três anos para ser concluída. Já em Teresina (Piauí), a Ponte Estaiada Mestre João Isidoro França com 363 metros (mais de três vezes menor que a de Guaratuba) também demandou cerca dois anos de obras.
No Sul do País, há exemplos ainda mais longos. A histórica Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis (Santa Catarina), com 821 metros, levou quatro anos para ser construída no início do século passado, enquanto a Ponte do Guaíba (Travessia Paixão Côrtes), em Porto Alegre, com cerca de 2,9 quilômetros, foi executada ao longo de seis anos, entre 2014 e 2020.
Para o secretário de Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, os resultados são fruto de um planejamento que buscou equilibrar inovação, eficiência e responsabilidade com o dinheiro público. “Desde a concepção do projeto, o Estado teve a preocupação de garantir qualidade e segurança, buscando o que existe de mais avançado em tecnologia no mundo, mas também estruturando um modelo que permitisse uma entrega mais rápida. Era uma demanda antiga da população, uma missão que precisava ser cumprida com eficiência”, afirma.
Com 1.244 metros de extensão e 19,6 metros de largura, além de 1.826 metros de acessos nas duas margens, a obra soma 3,07 quilômetros de intervenções. A configuração inclui quatro faixas de tráfego, duas em cada sentido, além de passeios laterais com ciclovia e espaço para pedestres. A estrutura combina um trecho em vigas pré-moldadas e outro estaiado, com 320 metros de comprimento, sustentado por duas torres de 40 metros de altura.

TECNOLOGIA
A Ponte de Guaratuba também é a primeira do Brasil a utilizar concreto autoadensável em toda a sua extensão. Esse tipo de material possui alta fluidez e capacidade de preenchimento, dispensando vibração mecânica e reduzindo falhas como vazios internos. É uma tecnologia que dificulta a penetração de substâncias que causam corrosão das armaduras, ampliando significativamente a durabilidade da obra.
Todo o cimento utilizado na construção da Ponte foi produzido no Paraná, em uma fábrica em Rio Branco do Sul. Ao longo de dois anos, foram utilizadas cerca de 22 mil toneladas de cimento, o equivalente a 48 mil metros cúbicos de concreto, volume suficiente para erguer dois edifícios de 46 andares, com quatro apartamentos de 80 metros quadrados por andar.
“Dessa forma, a gente garante o desempenho da estrutura por várias gerações. Além disso, ao optar pelo concreto autoadensável isso nos permitiu a execução de grandes volumes de concretagem em menos tempo”, detalhou o secretário Furiatti.
ENTREGA
A inauguração oficial da Ponte de Guaratuba está marcada para a próxima sexta-feira (1º) às 16 horas. A população poderá acompanhar um show de drones e fogos da Prainha e de Caieiras. Depois do ato oficial, a ponte será liberada para a passagem de pedestres.
No sábado e no domingo (2 e 3), a estrutura será um dos cenários da Maratona Internacional do Paraná, que vai receber 20 mil atletas. A liberação para o tráfego de veículos acontecerá no domingo (3), às 13 horas.
Fonte: AEN








