Por Ogarito Linhares
Ontem recebi uma notícia que, pela sua natureza, me transportou imediatamente para o distante ano de 1990.
Naquele tempo, dois quase garotos, jovens engenheiros do Porto de Paranaguá, iniciavam uma convivência na política que se estenderia por décadas. Esses engenheiros éramos eu, (Ogarito), e o Baka.
Agora, ao saber que sua saúde está abalada, essas lembranças saltaram imediatamente à minha mente.
Nossa aproximação começou ainda em 1989, durante a campanha para a eleição presidencial. No primeiro turno, trabalhávamos confeccionando lenços vermelhos de papel, símbolo do brizolismo. No segundo turno, estávamos todos juntos, ao lado dos sindicatos, apoiando o então jovem Lula.
Perdemos aquela eleição, mas não mudamos de lado. E foi essa coerência que nos levou, em 1990, à campanha de Roberto Requião para o Governo do Paraná.
Naquela campanha, o Baka , junto com o ¨Luis Boca de Mnatega¨ assumiram o comando do barracão da propaganda. Coordenava as equipes de colagem de cartazes, a distribuição de material de rua e os carros de som. Era um pequeno exército que Baka conduzia com mão de ferro e coração de gelatina.
Eu cuidava da burocracia e da articulação política. O Veiga cuidava das finanças. E o Mário Lobo cuidava de todos nós:
Carlos Velha nos cedeu os fundos da sede do Sindicato dos Consertadores para funcionar como comitê central da campanha de Tortato. O barracão da publicidade era grande, embora hoje eu já não me lembre exatamente onde ficava.
Lá, Baka e Luís “Boca de Manteiga” comandavam a operação. Brigavam pela manhã e faziam as pazes à tarde. Era tão certo quanto o dia suceder a noite.
Vencemos aquela eleição. E foi ali que nasceu a convicção de que poderíamos construir um novo ciclo político em Paranaguá, tendo o movimento sindical como protagonista.
Naquele mesmo 1990, a candidatura de Mário Teixeira serviu como um verdadeiro ensaio geral. Dois anos depois, aquele aprendizado daria origem ao movimento que levaria primeiramente Tortato à Prefeitura de Paranaguá, iniciando um ciclo de administrações ligadas ao sindicalismo.
Vieram o mandato de Tortato — à época ainda não existia reeleição —, depois três mandatos de Mário Roque, dois mandatos do Baka e, posteriormente, dois mandatos de Marcelo Roque.
O próprio Baka tornou-se prefeito por dois mandatos, depois de uma caminhada construída por muitas mãos e muitas histórias, passando também pela campanha que fizemos juntos — Tortato, Baka e eu — para a eleição de Mário Roque, em 1996.
Mas, de todas as lembranças que vieram à tona, a mais forte foi justamente a do início de tudo. Daquele momento em que ninguém imaginava que dois jovens engenheiros do Porto de Paranaguá, ao lado de tantos companheiros, ajudariam a construir uma das mais longas sequências políticas da história da cidade.
É curioso perceber como a história coletiva nasce de pequenos gestos, de amizades, de convicções e de muito trabalho. Às vezes, ela passa despercebida pelas novas gerações, mas continua viva na memória de quem a construiu.
Hoje, ao receber a notícia sobre a saúde do Baka, não pensei primeiro no prefeito, nem no líder político. Pensei naquele companheiro de 1989, sempre disposto para a luta, briguento por temperamento, generoso por natureza e leal aos amigos.
Porque, no fim das contas, a gente é a nossa história. E a nossa história é feita de muita gente.
Esta é apenas uma pequena janela para um pedaço da história de Paranaguá — uma história que muitos talvez desconheçam, mas que ajudou a moldar a cidade que conhecemos hoje.
