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Couro de peixe de Pontal do Paraná conquista Indicação Geográfica e transforma saber caiçara em patrimônio reconhecido nacionalmente

Reconhecimento concedido pelo INPI valoriza quase duas décadas de trabalho coletivo desenvolvido no Litoral do Paraná por artesãs, comunidades pesqueiras e pesquisadores

por Redação Ilha do Mel
12/05/2026 - 17:51
Couro de peixe de Pontal do Paraná conquista Indicação Geográfica e transforma saber caiçara em patrimônio reconhecido nacionalmente

O trabalho envolve desde o reaproveitamento das peles descartadas após a pesca até a transformação da matéria-prima em bolsas, brincos, colares, chaveiros, cadernetas, entre outros. Foto: Inove

O que antes era visto apenas como resíduo da pesca artesanal hoje carrega selo de origem, identidade territorial e reconhecimento nacional. O couro de peixe produzido em Pontal do Paraná conquistou, nesta terça-feira (12), o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), se tornou oficialmente um produto associado à tradição, ao saber fazer e à história da comunidade caiçara do litoral paranaense.

Mais do que um selo técnico, a conquista representa o reconhecimento de uma história construída coletivamente desde 2008, quando o projeto surgiu por meio do programa Universidade Sem Fronteiras, coordenado pela professora doutora Kátia Kalko Schwarz, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Paranaguá.

Hoje, cerca de 16 produtoras de Pontal do Paraná atuam diretamente na cadeia do couro de peixe e aproximadamente 30 famílias são beneficiadas de forma indireta. O trabalho envolve desde o reaproveitamento das peles descartadas após a pesca até a transformação da matéria-prima em bolsas, brincos, colares, chaveiros, cadernetas e peças que já chegaram a países como Alemanha, França e Portugal.

Idealizadora do projeto, Kátia Kalko Schwarz afirma que o reconhecimento simboliza o amadurecimento de um trabalho desenvolvido ao longo de 18 anos entre pesquisa, extensão universitária e atuação direta nas comunidades pesqueiras do Litoral.

“É com surpresa que recebemos hoje a notícia de que a IG Couro de Peixe foi concedida pelo INPI. A Unespar e eu nos sentimos com o dever cumprido após 18 anos de dedicação. Como toda maioridade, desejamos que sigam o caminho almejado, objetivando além da geração de trabalho e renda, o desafio de seguirem independentes seus próprios passos”, afirma.

Referência em inovação e sustentabilidade

Segundo a professora, o projeto nasceu com o objetivo de oferecer alternativas de renda e enfrentar o descarte inadequado das peles de peixe geradas pela atividade pesqueira na região. Com o passar dos anos, a iniciativa cresceu e se consolidou como referência em inovação social e sustentabilidade.

Desde 2007, o programa implantou curtumes comunitários em municípios do litoral paranaense, promoveu cursos de curtimento e artesanato, formou mais de 300 curtidores e artesãos e beneficiou centenas de pessoas direta e indiretamente. O projeto também desenvolveu um método de curtimento ecologicamente correto, livre de cromo e metais pesados.

Presidente da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná, Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida destaca que a conquista da IG não pertence apenas à associação, mas a todas as pessoas que ajudaram a construir o projeto ao longo dos anos.

“Essa trajetória vem de muito tempo. Muitas pessoas passaram antes de mim, então gosto de dizer que essa vitória não é só minha, não é só da Associação Couro de Peixe. Tem muita gente envolvida desde sempre”, ressalta.

Hoje, cerca de 16 produtoras de Pontal do Paraná atuam diretamente na cadeia do couro de peixe e aproximadamente 30 famílias são beneficiadas de forma indireta. Foto: Inove

Foco na geração de renda

Ela lembra que o projeto começou voltado principalmente às famílias de pescadores, mas depois passou a acolher outras pessoas da comunidade, sempre mantendo o foco na geração de renda e no fortalecimento social local.

“O início do projeto era capacitar pessoas para curtir couro de peixe com o objetivo de gerar renda e tratar da questão do lixo gerado após a pesca. A princípio, o projeto seria para famílias de pescadores e depois foi aberto para a comunidade em geral, sempre focado em geração de renda e sustentabilidade”, explica.

Para Ana Maria, o reconhecimento nacional chega em um momento importante para ampliar mercados, valorizar os produtos produzidos pelas artesãs e fortalecer o próprio território caiçara.

“Esse reconhecimento vem em um momento muito importante para todos que trabalharam nesse projeto e vem dar visibilidade e agregar valor ao produto. A IG representa reconhecimento de um trabalho que vem de longa data, valorização dos produtos, abertura de mercado, aumento real de renda e também do conjunto de pesquisas, cultura e saber fazer da comunidade”, afirma.

A formalização da associação aconteceu apenas em 2024, apesar de o curtume comunitário existir desde 2008. Segundo as artesãs, a organização coletiva foi um passo necessário para o processo de obtenção da Indicação Geográfica, que começou em 2023.

Reconhecimento

O selo concedido pelo INPI reconhece Pontal do Paraná como território tradicionalmente ligado à produção do couro de peixe. Entre as espécies utilizadas estão robalo, linguado, corvina, pescada-amarela, cavala, tainha, tilápia e peixe-porco.

As peles passam por um processo artesanal cuidadoso, que inclui limpeza manual, retirada de gordura, curtimento, secagem, tingimento e amaciamento até a transformação em couro.

O prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes Filho, destacou que a conquista reforça a identidade cultural e produtiva do município. “Essa conquista reconhece algo muito característico de Pontal do Paraná e profundamente ligado à nossa identidade caiçara. É um projeto que ganhou força graças ao olhar, à dedicação e à persistência de pessoas que acreditaram na nossa cultura, no artesanato e no potencial da nossa cidade. Esse selo valoriza ainda mais esse trabalho, amplia oportunidades e ajuda a levar o nome de Pontal do Paraná para cada vez mais lugares”, afirmou.

Do Litoral do Paraná para a África

O alcance do projeto, no entanto, ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a despertar interesse internacional justamente pela combinação entre sustentabilidade, inclusão social e geração de renda comunitária.

Em janeiro de 2025, o programa foi levado para Cabo Verde, na África, em uma iniciativa apoiada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU). A proposta era implantar curtumes comunitários inspirados no modelo desenvolvido em Pontal do Paraná, especialmente voltados à autonomia financeira de mulheres da comunidade local.

As peles de peixe passam por um processo artesanal cuidadoso, que inclui limpeza manual, retirada de gordura, curtimento, secagem, tingimento e amaciamento até a transformação em couro. Foto: Inove

A ação foi coordenada por Kátia Kalko Schwarz e contou também com a participação de Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida. Durante a missão, as representantes do litoral paranaense ministraram um curso no Instituto do Emprego e Formação Profissional, na capital Praia, capacitando 15 mulheres cabo-verdianas em técnicas de curtimento, preparação, tingimento e acabamento do couro de peixe.

Além da transferência de conhecimento técnico, o projeto brasileiro também inspirou a estruturação de um curtume comunitário no país africano. A FAO/ONU financiou a viagem da equipe e adquiriu os equipamentos utilizados no processamento do couro. Em Cabo Verde, a iniciativa ainda recebeu apoio de uma empresa pesqueira local, responsável pela separação e destinação das peles de peixe para o curtimento.

Ao longo dos anos, cursos e palestras ligados ao projeto também já foram realizados em diferentes regiões do Brasil, incluindo Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte, Goiás, Espírito Santo e Santa Catarina, consolidando o couro de peixe de Pontal do Paraná como modelo de inovação social associado à economia sustentável e ao reaproveitamento de resíduos da pesca.

A conquista da IG agora fortalece ainda mais esse processo, consolidando oficialmente o território caiçara de Pontal do Paraná como referência nacional na produção do couro de peixe.

Litoral tem 5 produtos com IG

O Litoral do Paraná também reúne outros produtos reconhecidos nacionalmente por sua origem e tradição por meio da Indicação Geográfica. Entre eles estão as ostras do Cabaraquara, em Guaratuba; a cachaça e a aguardente de Morretes; o barreado do litoral paranaense; e a tradicional bala de banana de Antonina.

Além do couro de peixe, outro símbolo gastronômico e cultural de Pontal do Paraná também busca esse reconhecimento: a cambira, prato típico caiçara preparado com peixe defumado, que possui pedido de Indicação Geográfica depositado e atualmente em análise no INPI.

*Por Luiza Rampelotti, com informações do Sebrae/PR

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