Por Elano Squenine
Os nomes dos balneários das cidades do litoral do Paraná guardam histórias curiosas que vão muito além do que muita gente imagina. Cada nome carrega relatos antigos, ligados à cultura indígena, à geografia e ao processo de ocupação da região.
Quem explica as origens de nomes como Pontal do Paraná, Matinhos, Caiobá, Shangri-lá e Guaratuba é o historiador Hamilton Sampaio Junior. Ele traz relatos históricos sobre antigas rotas feitas de canoa, carroça e carros de boi entre as cidades do litoral.
“Temos vários nomes associados a essas localidades aqui no litoral, e são nomes, alguns com descendência indígena, com descendência da linguagem tupi-guarani, e alguns com outro tipo de descendência que até têm curiosidades no meio”, destaca.

Pontal do Paraná
De acordo com Hamilton, Pontal do Paraná significa ponta de terra que avança no mar. “Pontal do Paraná é um pontão, a ponta de uma praia, a ponta de um local. Bem no início, as pessoas se deslocavam com canoas de Paranaguá e chegavam em Pontal, e daí elas embarcavam em carroças para fazer o trajeto até Matinhos”, conta.
Caiobá
Caiobá, ou Taioba, quer dizer mata com madeira boa para fazer canoa, enquanto Taioba também é um arbusto típico da região, podendo haver, assim, várias definições. “O nome Caiobá pode ser Taioba ou Caioba. Caiobá é mata com madeira boa para fazer canoa, e Taioba é um arbusto também que tem lá na região, ou seja, pode ter várias definições”, explica.
Shangri-lá
Hamilton explica que o nome Shangri-lá surgiu de um romance inglês. “Shangri-lá, que veio de um romance inglês, de uma localidade no Nepal, numa cidade fictícia, que se você ficar na cidade você não envelhecerá nunca. Então, quando foi criado o balneário, foi pensado nisso”, diz.
Guaratuba
O nome Guaratuba possui duas interpretações, sendo“Terra de muitos guarás” ou “Berço das garças”, um dos símbolos da região, assim como Guaraqueçaba, que em tupi-guarani significa “Lugar de muitos guarás”.
“Nós temos um registro de Augusto de Saint-Hilaire, que foi um botânico que andou pelo Brasil, e ele fez um registro muito interessante do Paraná, num diário, que fala sobre a viagem que ele fez de Paranaguá até Guaratuba, em minúcias. Então ele conta que ele pegou, em Guaratuba, canoas, foi até o Pontão, que é Pontal do Paraná. Ali, eles embarcaram em carros de boi e tinham que chegar até Matinhos, que era onde se fazia a travessia em Caiobá para Guaratuba. E tem várias coisas interessantes nisso daí: uma delas é que ele fala que a viagem tinha que ser feita à noite, porque os bois andavam mais, e outra coisa é que tinha que ser feita na maré baixa, porque senão levava dois ou três dias para chegar, pois as carroças não passavam nos rios”, concluiu Hamilton.






