Por Elano Squenine
O quadro especial “Pílula de Saúde”, da Rádio Ilha do Mel FM, destacou nesta terça-feira, 8, o Setembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a comunidade surda, à valorização da Língua Brasileira de Sinais, a Libras, e à promoção da inclusão e da acessibilidade.
Em entrevista à emissora, a diretora da Escola Bilíngue para Surdos Nydia Moreira Garcêz, Fátima Gonçalves, explicou que a cultura surda envolve identidade, língua, características próprias e diferentes formas de vivenciar e compreender o mundo.
Cultura
Segundo Fátima, a cultura surda está diretamente relacionada à identidade e à forma de expressão das pessoas surdas. Ela ressaltou que a surdez não diminui a capacidade ou a cidadania de uma pessoa. “O fato desse cidadão ser surdo não o faz inferior aos demais cidadãos do nosso país. Então, valorizar a cultura é valorizar esse cidadão, a sua língua, a sua forma de experienciar o mundo, que é através de uma experiência visual”, pontuou.

A diretora também destacou a importância da Libras como instrumento de comunicação e de exercício da cidadania. “A língua é o que faz nós sermos o que somos. A nossa língua faz a gente exercer plenamente a nossa cidadania. É a forma como ele vai interagir com o mundo à sua volta, é a forma dele mostrar a sua capacidade, quem ele é”, afirmou Fátima.
Educação
Fátima também ressaltou o papel da escola bilíngue para a comunidade surda. Segundo ela, esse espaço contribui para o acesso à língua, o desenvolvimento, a construção da identidade e o fortalecimento da cidadania.
Ela citou a Lei Federal n.º 14.191, de 2021, que estabeleceu a educação bilíngue de surdos como modalidade de educação escolar. A medida, segundo Fátima, representa uma conquista para a comunidade surda.
A diretora destacou ainda que 95% das crianças surdas são filhas de pais ouvintes, enquanto 5% têm pais surdos. Nesse contexto, a escola bilíngue pode representar um dos principais espaços de contato com a Língua Brasileira de Sinais.
Inclusão
Entre os desafios, Fátima apontou a necessidade de ampliar a valorização e a conscientização sobre a Libras e a cultura surda. Ela explicou que, mesmo quando uma pessoa surda desenvolve a oralidade, sua estrutura de pensamento pode estar relacionada à língua de sinais.
A diretora também defendeu uma postura mais aberta da sociedade diante das pessoas surdas e de outras pessoas com deficiência. “A sociedade, a população, ela pode ser mais empática, não precisa ter medo do surdo, por mais que ela não saiba a língua de sinais, mas buscar estabelecer uma comunicação”, salientou.
Segundo Fátima, gestos, apontamentos e olhares também podem contribuir para estabelecer uma comunicação e ajudar a eliminar barreiras. “Valorizar essa língua, saber que essa pessoa é um cidadão como outro qualquer”, concluiu.







