A indignação de moradores de Antonina com a saúde pública municipal deixou os corredores das unidades de atendimento e ganhou as redes sociais nos últimos dias. Nesta terça-feira (12), vídeos, transmissões ao vivo e desabafos públicos expuseram relatos de demora em atendimentos, falta de materiais para exames, dificuldades enfrentadas por idosos e críticas diretas à gestão da prefeita Rozane Osaki (PSD).
Os relatos apontam para uma sensação crescente de abandono e desorganização no sistema público de saúde da cidade. Em comum, moradores descrevem desgaste emocional, insegurança e a percepção de que a estrutura municipal não consegue atender adequadamente a população.
Um dos casos que repercutiu envolve o morador Ricardo Otero, que utilizou as redes sociais para denunciar problemas enfrentados pela própria família durante a tentativa de realização de um exame considerado emergencial para a filha de 18 anos no Hospital Municipal Dr. Silvio Bittencourt Linhares. “Não é a primeira vez, não é a segunda vez, não é a terceira vez. Até quando vamos morrer por falta de responsabilidade administrativa?”, questionou.
Segundo ele, a jovem possuía suspeita de uma doença grave e havia sido encaminhada para a realização de um exame de coleta em caráter de urgência. Ao chegar na unidade de saúde, porém, a família teria sido informada de que a enfermeira responsável não estava no local porque havia sido deslocada para outro posto.
“Cancelaram o atendimento e não avisaram. Ela saiu cedo, nesse frio, para nada”, relatou.
Otero afirma ainda que outra profissional informou que não havia material suficiente para o exame e que os poucos kits disponíveis estavam reservados para atendimentos emergenciais de gestantes. “Disseram ainda que não havia material adequado e que precisariam esperar chegar. Mas quando vai chegar?”, questionou.
Durante o desabafo, o morador também criticou o que considera uma discrepância entre a realidade enfrentada pela população e a imagem divulgada pela Administração Municipal nas redes sociais. “Que Antonina é essa que aparece nas redes sociais? Um mundo das maravilhas, um mundo de faz de conta”, afirmou.
Segundo ele, moradores têm precisado buscar atendimento em cidades vizinhas diante das dificuldades encontradas no município. “Precisamos nos deslocar para outros municípios para fazer exames e acompanhamentos”, disse.
Idosa cadeirante e denúncia de demora
Outro episódio que gerou repercussão ocorreu na Unidade Básica de Saúde do Barigui e envolveu uma paciente cadeirante de 81 anos.
Em vídeo divulgado em transmissão ao vivo nas redes sociais, o filho da idosa, Emerson dos Santos Souza, afirmou que a mãe foi atendida por último na unidade. “Estamos falando de uma cadeirante de 81 anos e 10 meses”, afirmou.
Segundo ele, a justificativa apresentada seria de que o sistema de atendimento determinava a ordem da fila. “O médico disse que não puderam colocá-la na frente porque o sistema manda atender por último”, declarou.
Contudo, a legislação brasileira prevê prioridade para pessoas idosas em órgãos públicos e estabelecimentos de atendimento, conforme a Lei Federal 10.048/2000 e o Estatuto do Idoso. Pessoas com mais de 80 anos possuem prioridade especial em relação aos demais idosos, exceto em situações de emergência médica.
No vídeo, Emerson também criticou diretamente a situação da saúde pública municipal e afirmou que a população vive um cenário de precarização. “A população está sofrendo com a Administração Pública da cidade, principalmente na área da saúde”, declarou.
Segundo ele, os problemas teriam se intensificado durante a atual gestão municipal.
Prefeitura afirma que segue protocolos técnicos
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Antonina afirmou que os atendimentos seguem protocolos de acolhimento e classificação clínica, buscando garantir “atendimento justo, humanizado e seguro para toda a população”.
Sobre o caso envolvendo a idosa atendida na Unidade de Saúde do Barigui, a Prefeitura afirmou que a transmissão ao vivo realizada dentro da unidade teria interferido diretamente no fluxo de trabalho da equipe e comprometido momentaneamente o andamento dos atendimentos.
“Na ocasião, um cidadão realizou filmagens e transmissão em tempo real durante o atendimento da unidade, o que acabou interferindo diretamente no fluxo de trabalho da equipe e no atendimento médico dos demais pacientes presentes”, informou a nota.
A Secretaria também afirmou que outros pacientes presentes na unidade possuíam critérios de prioridade clínica e que a equipe precisava seguir a organização técnica estabelecida. “Ressaltamos que, naquele momento, outros pacientes também apresentavam critérios de prioridade”, destacou o Município.
A Administração Municipal declarou ainda compreender a preocupação dos familiares, especialmente em casos envolvendo idosos, mas reforçou que manifestações devem ocorrer “com respeito aos profissionais, aos demais pacientes e às normas de funcionamento do serviço público de saúde”.





