Nos dias 5 e 6 de junho de 2026, Matinhos recebe a 7.ª edição da Festa da Juçara, evento que une cultura popular, agroecologia, educação ambiental e valorização dos saberes tradicionais do litoral paranaense. Realizada pelo Instituto Juçara de Agroecologia, a iniciativa surgiu em 2012 a partir do Coletivo Juçara, formado por egressos do curso de Agroecologia da UFPR Litoral.
A festa nasceu com o propósito de celebrar a safra da juçara e fortalecer a cultura alimentar associada aos frutos da palmeira, promovendo alternativas sustentáveis de uso dessa espécie nativa da Mata Atlântica. Ao longo dos anos, o evento consolidou-se como um espaço de encontro entre comunidades tradicionais, agricultores, pesquisadores, artistas e público em geral, articulando cultura, meio ambiente e desenvolvimento local.
CULTURA ALIMENTAR E CULTURA POPULAR
A palmeira juçara (Euterpes edulis) possui profunda relação histórica com os territórios e comunidades tradicionais do litoral do Paraná. Durante décadas, a exploração predatória do palmito colocou a espécie em risco, tornando urgente a busca por estratégias de conservação que valorizem a floresta em pé.
Nesse contexto, a Festa da Juçara contribui para a difusão do consumo dos frutos da palmeira, incentivando cadeias produtivas sustentáveis e fortalecendo iniciativas ligadas à economia solidária e à sociobiodiversidade. A programação inclui atividades voltadas à troca de conhecimentos, à valorização dos modos de vida tradicionais e à promoção de práticas que conciliam conservação ambiental e geração de renda.

A programação cultural da 7ª edição celebra manifestações que compõem a identidade do litoral paranaense e da cultura afrobrasileira. Entre os destaques está o baile de fandango caiçara com o Grupo Canutilho Temperado, expressão reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
O público também poderá acompanhar as apresentações dos grupos Baque Mulher Matinhos e Maracatu Omo Omi, que levam ao evento a força dos tambores, da ancestralidade e das tradições do maracatu.
“Mais do que um festival, a Festa da Juçara é um encontro entre pessoas, saberes e territórios. Ao celebrar a cultura alimentar, a arte popular e os conhecimentos tradicionais, fortalecemos a identidade cultural do litoral paranaense e mostramos que conservação ambiental e desenvolvimento comunitário podem caminhar juntos”, destaca Dayanne Cristina Gomes, coordenadora do evento e integrante do Instituto Juçara de Agroecologia.
A programação contempla ainda o Espaço Juçarinhas, dedicado ao público infantil e às famílias. O espaço reúne atividades lúdicas e educativas que aproximam as crianças dos saberes tradicionais, da cultura popular e da agroecologia.
Entre as atrações confirmadas estão a contação de histórias com o caiçara Seo Ribeiro e os Jogos Agroecológicos conduzidos pelo agroecólogo e arteeducador Tio Wil, promovendo experiências de aprendizado por meio da brincadeira e do contato com os conhecimentos do território.

Mantendo sua característica colaborativa, parte da programação da Festa da Juçara é viabilizada por meio de uma campanha de arrecadação comunitária. Como forma de apoio ao evento, será realizada uma rifa com prêmios de forte simbolismo cultural da região e produtos a base de juçara. Os interessados em colaborar podem adquirir números da rifa e conferir os prêmios por meio do Instagram @festadajucaramatinhos, onde também estão disponíveis informações sobre a programação completa.
“Quando valorizamos a juçara, não estamos falando apenas de um fruto, mas de uma rede de saberes, práticas culturais e relações com a Mata Atlântica. A festa nasce desse entendimento de que preservar a natureza também significa preservar a cultura dos povos e comunidades que vivem dela e com ela”, afirma Dayanne Cristina Gomes.
A 7ª Festa da Juçara conta com apoio estrutural do Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA Juçara), da Universidade Federal do Paraná – Setor Litoral, do Mandato Goura e das produtoras Serafilmes e Guapê Cultural.
Com informações da assessoria









