Os estudos, que analisam dados entre 2023 e 2025, apontam que os acordos coletivos resultaram em aumento real da renda média dos conferentes, estabelecendo um novo patamar remuneratório para a categoria. Segundo Cid Cordeiro, os resultados demonstram que as convenções foram além da recomposição inflacionária e promoveram uma recuperação consistente da renda do trabalho, revertendo o quadro de defasagem observado em anos anteriores.
“Dessa forma, conclui-se que o período analisado representa um marco de recomposição e valorização salarial, com impactos concretos sobre o nível de renda dos conferentes, evidenciando um ciclo de crescimento real da remuneração associado à reorganização da força de trabalho”, afirmou o economista.
Já para o presidente do CONFEPAR, José Eduardo Antunes, os dados reforçam uma percepção já presente entre os trabalhadores, agora sustentada por análise técnica. “Essas notas técnicas evidenciam que as convenções assinadas pelo Sindicato dos Conferentes […] trouxeram um expressivo aumento na renda, na média salarial da categoria”, afirmou.
Crescimento real da renda
O principal indicador de impacto econômico é a evolução da média salarial por trabalhador. Em 2023, antes da primeira CCT, a média nominal era de R$ 6.257,76. Em 2025, após a segunda convenção, esse valor chegou a R$ 10.924,12, representando um aumento de R$ 4.666,36 por trabalhador.
Quando atualizados pela inflação até janeiro de 2026, os dados apontam um ganho real de 76,10% no período, evidenciando que o crescimento superou com folga a recomposição inflacionária.
Dinâmica de valorização e produtividade
Outro elemento relevante identificado nos estudos é a mudança na estrutura da força de trabalho. Entre 2023 e 2025, houve uma redução de aproximadamente 26,5% no número de conferentes registrados.
Apesar disso, a massa de rendimentos aumentou, indicando maior concentração de renda por trabalhador e elevação da produtividade média.
As notas técnicas apontam três efeitos principais desse movimento:
- Aumento da produtividade média individual;
- Concentração da massa salarial em menos trabalhadores;
- Fortalecimento da remuneração média por conferente.
Essa combinação ajuda a explicar o salto na renda média mesmo com a redução do contingente de trabalhadores.
A valorização não ocorreu de forma pontual. Os dados indicam dois ciclos consecutivos de crescimento: entre 2023 e 2024, logo após a primeira CCT, a média real avançou 65,87%, enquanto entre 2024 e 2025, já após a segunda convenção, houve novo aumento de 6,16%. Ainda que em ritmo menor no segundo período, o movimento se manteve positivo, consolidando uma trajetória de crescimento sustentado.

Impacto econômico ampliado
Além da renda individual, os estudos indicam efeitos mais amplos sobre a dinâmica econômica da categoria. Houve aumento no Montante de Mão de Obra (MMO) e na arrecadação sindical, refletindo o novo patamar remuneratório e a reorganização da atividade.
De acordo com Antunes, os dados ajudam a consolidar o entendimento sobre os resultados das negociações. “É um estudo muito sólido, muito consistente. O que já é óbvio para todos fica sacramentado agora com esse estudo técnico realizado por uma pessoa competente e de imensa credibilidade”, destacou.
Ele também afirmou que os números devem encerrar questionamentos internos sobre os efeitos das convenções. “Com isso nós esperamos enterrar de vez o discurso negacionista, de uma minoria contrária à gestão, […] e mostrar que a gente apostou no caminho certo”, disse o presidente.
Para o sindicato, os resultados reforçam a estratégia adotada nas negociações e servem como base para futuras discussões coletivas. “É uma notícia que nos dá muito conforto e tranquilidade de saber que seguimos no caminho certo”, concluiu Antunes.
Base técnica e metodologia
As análises foram elaboradas exclusivamente com base nos dados de conferentes registrados, sem incluir trabalhadores multifuncionais ou novos cadastrados, o que, segundo o estudo, garante maior consistência e comparabilidade dos resultados.
Os valores foram avaliados tanto em termos nominais quanto corrigidos pela inflação até janeiro de 2026, permitindo mensurar com precisão os ganhos reais ao longo do período.







