Por Elano Squenine
No último episódio da série especial de reportagens alusivas à campanha Agosto Lilás, mês de mobilização nacional de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, da Rádio Ilha do Mel FM, o destaque foi o Núcleo de Direitos Humanos Marielle Franco, do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Campus Paranaguá. Criado em 2018, dentro do curso Defensores(as) Populares, o projeto de extensão oferece orientação jurídica gratuita, apoio a minorias e ações de combate à violência de gênero e doméstica nas periferias e comunidades de Paranaguá.
A integrante do Núcleo, Débora Regina Castro, explica que o Núcleo de Direitos Humanos Marielle Franco nasceu também em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018. “Eu entrei na segunda edição do curso de Defensores(as) Populares, em 2018. A nossa turma foi bem participativa, aprendeu bastante e, nessa época, a gente se reuniu junto com o professor Roberto Martins, que era o coordenador do curso naquele ano. Perguntei para eles se queríamos fazer alguma coisa, não pegar esse conhecimento e guardar para nós, mas sim tentar ajudar outras mulheres”, destacou.

“Foi na época em que faleceu a vereadora Marielle Franco, por isso homenageamos ela, pela causa, por ela ter sido uma professora, uma socióloga, por lutar pelos direitos humanos e pelo direito das mulheres”, destacou. Desde então, por meio de mutirões realizados nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município, a iniciativa começou a chegar à população. Débora ressalta que a principal pauta do Núcleo é o enfrentamento à violência doméstica. “Infelizmente, a gente não queria que fosse, mas é a violência doméstica”, afirmou.
Acolhimento
A integrante explicou como funciona a atuação do Núcleo no acolhimento a uma mulher vítima de violência. “Primeiramente, a gente tenta ver o que ela está precisando naquele momento, se é um atendimento, uma conversa, um acolhimento, ou se é um encaminhamento para a delegacia, ou para o CRAS, porque às vezes não é a violência em si. Nem toda mulher, às vezes, está entendendo o que ela está passando”, explicou.
“Muitas integrantes que deram o primeiro passo para fazer o curso de Defensores Populares estavam passando por situações que elas nem sabiam. Elas não tinham ideia do que passaram ou que estavam passando era uma violência. E, a partir do momento em que elas se reconheceram, que entenderam essa situação, muitas delas hoje estão terminando sua graduação, estão fazendo faculdade”, salientou.
Mensagem
Débora também deixou uma mensagem a todas as mulheres, principalmente àquelas que, de alguma forma, estão passando por uma situação de violência. “Que não aceitem, que elas não estão sozinhas. Tem uma rede de proteção em Paranaguá boa, que está atendendo. Tem o Núcleo Marielle, e o nosso lema é: uma não solta a mão da outra”, concluiu.
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