A forma de cobrança da taxa de coleta de lixo em Morretes tem gerado críticas entre moradores após a regulamentação, por meio de decreto municipal, que permite a inclusão automática do valor na fatura de água da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A medida tem sido questionada pela população, que aponta falta de transparência nos critérios adotados e relata impacto direto no valor das contas.
O Decreto nº 2.617, de 20 de janeiro de 2026, assinado pelo prefeito Sebastião Brindarolli Júnior (PSD), regulamenta a cobrança da taxa no município e estabelece que o pagamento pode ser feito à vista ou incorporado automaticamente à fatura de água e esgoto, inclusive em casos de inadimplência.
Pelo texto, o valor pode ser parcelado em até 12 vezes e passa a ser lançado diretamente na conta da Sanepar, sem necessidade de solicitação do contribuinte.
A mudança tem gerado dúvidas, principalmente em relação à forma de cálculo da taxa e à vinculação com o consumo de água – dois pontos que concentram as principais críticas dos moradores.
População questiona critérios e serviço prestado
A diarista Luciana da Silva, moradora da Rua João Marques da Silva, na Vila Marques, relata que passou a identificar a cobrança em sua fatura, com valor aproximado de R$ 25, mas afirma não compreender como o montante é definido.
“Não sei como é calculado. Eu acredito que não deveria ser cobrado no talão da Sanepar, até porque já pagamos taxa de esgoto”, afirma.
Ela também questiona a relação entre os serviços. “Na minha opinião, não tem nada a ver cobrarem a taxa do lixo com base na água”, diz.
Apesar de avaliar que o serviço de coleta funciona regularmente na região onde mora, Luciana aponta falta de clareza sobre a cobrança. “Queria entender o motivo dessa taxa, qual o fundamento”, acrescenta.
Além das dúvidas sobre os critérios, há também questionamentos sobre a efetiva prestação do serviço. Uma moradora da região do Anhaia, na Estrada do Babau, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, relata que a cobrança ocorre mesmo sem a coleta regular na rua onde vive.
Segundo ela, o caminhão de lixo não acessa o trecho onde estão cerca de nove residências, obrigando os moradores a se deslocarem para descartar os resíduos.
“A gente precisa levar o lixo até a lixeira na rua principal ou deixar nas lixeiras dos vizinhos. E mesmo assim estamos pagando a taxa”, relata.
A moradora também critica a ausência de infraestrutura básica na região. “Pagamos taxa de lixo, mas o caminhão não passa. Pagamos iluminação pública, mas nem poste tem na rua. As crianças ainda ficam na beira da estrada, no sol ou na chuva, esperando o ônibus, porque não tem ponto”, afirma.
Os relatos reforçam a percepção de parte da população de que há cobrança por serviços que não são prestados de forma integral, além da ausência de informações claras sobre os critérios adotados pelo Município.
Prefeitura não se manifestou
A reportagem procurou a Prefeitura de Morretes para esclarecer quais parâmetros técnicos foram utilizados para definir o modelo de cobrança, se há estudos que justifiquem a vinculação ao consumo de água e quais mecanismos estão disponíveis para contestação dos valores.
Também foram questionadas eventuais falhas na cobertura da coleta em regiões específicas e quais medidas estão sendo adotadas para garantir a prestação do serviço de forma adequada.
Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
















